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Marcelinho da Lua lança álbum e disponibiliza clipe de “Fruta Madura”

Disco “Insolente” já está disponível em todas as plataformas com participações de Fernanda Takai, Marcelo D2, Otto, Rogê, Gustavo Black Alien, Lucas Santtana

Divulgação: Assessoria de Imprensa, entre outros

Laís Araújo
23/05/19 | 23h27

Marcelinho Da Lua está tranqüilo, na medida do possível. Antes uma criatura da noite, muitas vezes virando madrugadas assim como quem troca o lado de um vinil nos toca-discos, ele anda mais suave desde o nascimento do filho, Sebastião, há cinco anos. Inspirado pela paternidade,  o DJ, produtor e compositor carioca desacelerou as próprias BPMs e passou a surfar a vida de modo mais equilibrado. Um pouquinho mais equilibrado, pelo menos. A prancha fish, biquilha, rabeta swallow, novinha, continua pegando mofo no armário. Mas esse sósia do Sean Lennon, que agora dorme e acorda mais cedo, pode ser visto nadando, andando de bicicleta, fazendo jiu-jitsu e jogando bola no Parque Guinle com Sebastião. Há fotos no Instagram provando (quase) tudo isso.

– Realmente, ser pai deu uma dimensão diferente à minha vida. Fiquei mais organizado, mais amoroso. Prezo muito mais o meu tempo, inclusive para ficar com o Sebastião – conta Da Lua.

É nesse clima, em que subverte a máxima atribuída a Che Guevara, tornando-se mais afetuoso sem perder a firmeza jamais, que Da Lua chega ao terceiro álbum, “Insolente”, seu primeiro trabalho em mais de uma década. Gravado quase totalmente no seu estúdio, o 1/4tinho, no Jardim Botânico, o disco tem participações de Fernanda Takai, Marcelo D2, Larissa Luz, Otto, Rogê, Helio Bentes (Ponto de Equilíbrio), Pedro Luís, Marta Ren, Barbara Martins , Gustavo Black Alien, Augusto Bapt  e Lucas Santtana.

– Gravar no 1/4tinho reforçou esse momento que estou vivendo, já que ali tenho realmente a sensação de estar em casa, apesar de o local, na verdade, ficar na garagem da casa da minha sogra, que gentilmente me cedeu o espaço – afirma ele. – A liberdade de criação é muito maior num ambiente assim.

Com capa assinada pelo artista gráfico Rodrigo Ribeiro, inspirada na obra de Mestre Vitalino (1909-1963), “Insolente” sucede o álbum de estréia de Da Lua, “Tranquilo” (2004), e “Social” (2007), além do psicodélico disco de remixes  “Mad Professor meets Marcelinho Da Lua inna dubwise style”  (2004) e da coletânea  “Viagem ao mundo Da Lua” (2012). Apesar do hiato, boa parte do material de “Insolente” já vinha sendo apertado, digo, preparado por ele ao longo dessa década.

– Fiquei dez anos sem gravar um álbum solo, mas nunca fiquei parado – explica Da Lua, que durante esse período trabalhou com Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Pedro Luís, Ana Canãs e Kid Abelha, entre outros, além de seguir tocando e excursionando solo ou com seu grupo, o BossaCucaNova (ao lado de Márcio Menescal e Alex Moreira). – Fiz várias faixas, que fui botando na gaveta. Quando fechei mesmo a idéia de fazer esse novo disco, juntei tudo e fiz uma seleção com o Marcinho (Menescal) e o Bruno LT, que produziram “Insolente” comigo.  No final das contas, o disco ficou com metade de material de gaveta, reciclado, e metade de material inédito, feito durante as gravações.

Uma das faixas que ganharam vida nova foi a versão samba and bass de “As rosas não falam”, imortal tema de Cartola, cantada por Barbara Martins, mãe do DJ Saddam, um dos mais renomados da cena hip-hop carioca.

– O Saddam me disse que ela foi garfada num concurso de cantoras no auge da era do rádio. Aí resolvemos produzir essa versão especialmente para ela cantar. Refiz toda a base o resultado final ficou esse veludo cotelê – brinca Da Lua.

Essa modelagem tropical e colorida, costurada com samba, hip-hop, drum and bass, mais reggae e bossa, tão marcante nos dois primeiros discos de Da Lua, segue vestindo o novo trabalho, como mostra o ska marchinha “Quando eu contar (Iaiá)”. Gravado por Zeca Pagodinho nos anos 80, ele ressurge, renovado,  pela voz de Marcelo D2 acompanhado da banda Chupeta Elétrica, um spin-off do bloco carnavalesco Spanta Neném.

É o estilo também de “Não vendo”, com Lucas Santtana (“A sanfona deu um toque de zydeco à essa música”), de “Black belt”, com Black Alien, de “Pode acreditar”, com Fernanda Takai, de “Sensei”, que une, via samplers, as vozes de Helio Bentes e do salseiro Joey Pastrana, e de “Fruta madura”, com Otto (e a guitarra de Otávio Rocha, do Blues Etílico).  Detalhe: todas essas faixas – e outras de “Insolente” – têm Da Lua como parceiro das composições, uma novidade em sua linha do tempo. Mas a síntese do disco talvez esteja mesmo na doce hipnose de “Sebastião”, que traz a voz sampleada de Tim Maia, banhada em delay, filosofando sobre amor, ao lado das vozes de Da Lua e seu filho.

O que há de “insolente” nisso tudo? Da Lua é que sabe.

– Nesse momento complicado do país, acho que precisamos ser insolentes, assim como o samba já foi insolente e o Planet Hemp já foi insolente.  Nesse sentido, insolente é reagir à arrogância dos poderosos, é não fazer a corte, é não abaixar a cabeça – explica ele, que segue tranqüilo, na medida do possível. Carlos Albuquerque.

 

Informações e Conteúdo: Assessoria de Imprensa

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