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ESPECIAL DIA DO SERTANEJO – A carreira de Teodoro & Sampaio como você nunca viu

Das apresentações em picadeiros no circo à turnê internacional, conheça os 38 anos de história da dupla Teodoro & Sampaio.
– Conteúdo Exclusivo –

Laís Araújo
03/05/19 | 04h47

O ano foi 1981, período marcado por mudanças mundiais, títulos no esporte e notícias que abalaram o mundo inteiro, como o primeiro atentado contra o Papa João Paulo II. Daiana virou “Lady  Di”, no esporte o Flamengo se consagrou ao conquistar a Taça Libertadores e o Mundial Interclubes. Em agosto do mesmo ano, Silvio Santos colocou no ar a primeira transmissão da sua emissora, o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão).

Em 6 de março deste ano, longe das capas de jornais e do noticiário, no interior do norte paranaense, mais precisamente em Santa Bárbara D´Oeste, se apresentavam no picadeiro do Circo Zíngara, a nova e visionária dupla sertaneja, Teodoro & Sampaio.

O nome para todos era novo e curioso, afinal, pela primeira vez nome de cidade virava nome de dupla. Teodoro conheceu o município de Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo, ainda na época da parceria com Zé Tapera, e gravou-o na memória. Ao passar por uma rua em São Paulo com o mesmo nome, teve a certeza que assim se chamaria sua dupla. “Eu conheci a cidade e gostei do nome, que era de um engenheiro também. Achei que ficou bom e coloquei na dupla. Sete letras com sete letras que deram certo”, relembra Teodoro.

A nova formação até poderia ser recente, mas a experiência de ambos no meio sertanejo e nos bastidores dos circos pelo país era muita. Teodoro já havia tido outros companheiros musicais como Gonzaga (1960-1963), Zé da Praia (1963-1964), Siqueirinha (1964-1965), e a última com Zé Tapera (1967-1979), parceria que o levou ao reconhecimento no mercado musical.

Gentil Aparecido da Silva, o Sampaio, não ficava atrás e formou dupla com Genival para tentar espaço na música sertaneja. Mas foi como secretário, divulgador, carregador e até digitador de recibos na máquina de escrever, que começou a trabalhar no escritório de Teodoro, na época da parceria com Zé Tapera. Nas horas vagas cantavam juntos e no momento de formar a nova dupla, Teodoro encontrou o parceiro que precisava.

“Antes de trabalhar com o Teodoro eu fui um dia no escritório para conhecer e me apresentar, mas não me deixaram entrar. Mesmo assim eu fui indo e insistindo até o dia que eu consegui conhecer o Teodoro. Eu gostava muito do trabalho dele e acompanhava no rádio. Me inspirei e assim como ele fui atrás do meu sonho em São Paulo”, relembra Sampaio.

A nova dupla e formação musical vinham de encontro a outras necessidades e mudanças do mercado que Teodoro acabou percebendo. A ida das pessoas do campo para a cidade fez com que elas trocassem de casa, de vida e dos conceitos que elas tinham. Junto com o parceiro novo, Teodoro assumia também todo o negócio e as responsabilidades de ser “o cabeça da dupla”.

Os trabalhos “O Guarda-Roupa Maldito” e “Nos Braços do Mundo” tiveram aceitação do público e abriram espaço para novas apresentações e divulgação nas rádios, mas faltava muito para alcançar a carreira nacional.

E quem diria que uma música recusada pela censura por ter como título “Pedaço de Pano”, composta por Alcino Alves, seria o sucesso da dupla.

Teodoro, sempre visionário e entendedor de música, recebeu a canção de Alcino Alves e sugeriu algumas modificações. “O Alcino chegou com essa música na Rádio Londrina pra mim em 1984 e se chamava “Pedaço de Pano”. Eu disse pra ele que a moda era boa mas que às vezes não ia passar na censura, porque qualquer coisinha eles implicavam. A música voltou e eu sugeri pra ele colocar “Vestido de Seda”, porque contava a história de uma mulher que abandonou o caboclo e que tinha deixado as coisas dela na casa dele, um vestido no manequim (…). Ele mudou e deu certo, foi o sucesso que foi”, conta  ele.

A intuição de Teodoro estava certa. A música rendeu à dupla não só as paradas de sucesso pelo país como também vendeu de imediato mais de 50 mil cópias do LP. É ainda considerada um dos clássicos da música sertaneja, sendo regravada e interpretada por cantores de diferentes idades e estilos. Até hoje é uma das músicas mais pedidas  nos shows da dupla e chegou a um saldo expressivo de cópias vendidas.

Outro diferencial de “Vestido de Seda” foi a interpretação e o arranjo musical conseguido de forma um tanto curiosa. “Quando nós gravamos a Vestido de Seda teve uma greve de músicos e os bons estavam nessa greve. Naquele tempo as músicas tinham muita sanfona, mas nos deram um sanfoneiro ruim, muito ruim mesmo que não tinha condições. Aí a solução foi tirar a sanfona e trabalhar bem no violão, violino e fazer uma coisa mais diferente. Graças a Deus deu certo e a música se destacou por isso também”, relembra Teodoro.

Seguindo o feito de “Vestido de Seda”, outros sucessos também se eternizaram na voz de Teodoro & Sampaio como “Paixão Proibida”, que vendeu 500 mil cópias, “Casaco Verde”, em 1986 e “Pinga ni Mim”. Daí em diante a dupla não parou mais. Hoje são mais de 28 álbuns inéditos gravados, 42 discos somadas as coletâneas, 24 trabalhos premiados com discos de ouros e platina, mais 6 milhões e meio de cópias vendidas além das apresentações no Brasil e no exterior.




Revista Amigos do Teodoro & Sampaio 

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